terça-feira, 4 de maio de 2010

Amor no século XXI

I-Numa galáxia distante, dois homens discutem. Um deles é alto, forte, bonito e sensual, talvez a solução dos seus problemas. O outro, mais baixo, magrelo, narigudo, parecendo uma cópia mal acabada do Woody Allen. Estão os dois de pé, parados. Na sala de estar. O mais alto se chama Ronaldo, graduado em Economia, CEO de uma grande produtora de cosméticos. Adriano, o magrelo, é escritor, e escreve muito mal. Portanto, ficou milionário. Sabe-se lá por que, caiu nas graças do público, escrevendo estórias esotéricas, minadas por mensagens de motivação e que terminam sempre com a mesma frase (roubada de Scarface): O MUNDO É SEU!

II-Os dois são um casal. Os dois discutem. E o motivo da discussão, é a fixação de Adriano em Al Pacino. Ronaldo sente ciúmes. Claro, um ciúme justificadíssimo, afinal, quem não sentiria ciúmes diante de uma possibilidade tão real de traição, não é? Agora, Ronaldo cansou, sentou, cruzou as pernas, enquanto Adriano fica brincando com o bico de seu scarpin . O fenômeno toma fôlego e começa:
- Ai Adriano, você tá me ouvindo? Você nunca me ouve!
- Tô sim!
- Para com isso, sério. Tá ficando doentia essa fixação por ele...
- Amor, é só um ator. Mora nos EUA, não tem perigo nenhum. E olha, hoje em dia ele tá bem acabadinho, só gosto da fase oitentista dele, sem neuras.
- Sem neuras? Sério, só falta chover, de tão úmida que fica a sala quando ele aparece! Porra, Adriano! Ele é baixinho, narigudo, o que você vê nesse cara? O que ele tem que eu não tenho?
- Você é mil vezes melhor, mil vezes. Eu só acho ele interessante, gosto dos filmes dele. E para de coçar o saco na minha frente, meu deus. Tira essa mão da cueca, porra! Cadê o romantismo?
- Viu? Eu não tenho como competir com ele. Ele não é real, não é um executivo, com um trabalho chato como eu... Mas quem te leva pra comer sushi? Quem assiste os filmes conceituais de veado com você? EU! EU!
- Como assim, filmes de veado? Agora você vai dizer que é machão?
- Veado é quem dá
-AAAH, me diz que eu não escutei isso! QUE DECEPÇÃO! Você realmente pensa isso de mim? Eu sou um veado, sou sua mulherzinha, e você é o machão?
- É! Você não passa de um veadinho!
- CARA, VAI SE FODER! VOU TE QUEBRAR NO MEIO!
- Vem então, magrelo!

III- Após partirem para a agressão física, Ronaldo quebrou três costelas de Adriano, além do nariz do companheiro. Adriano conseguiu dar duas mordidas na mão de Ronaldo, mas está tudo bem entre os dois. Eles se reconciliaram, e planejam adotar uma criança em breve. Motivado pela superação do trauma, Adriano escreveu mais um livro de sucesso: "Quem come é gay também?". Eles vivem felizes numa casa em Campinas, mas costumam passar férias em Pelotas, ou em Florianópolis, em sua praia predileta, a Galheta.

IV- Essa história é real.

V- Mas, não tem nenhuma lição. Quer dizer, tem sim:


O MUNDO É SEU!




terça-feira, 30 de março de 2010

A Vagina na Redoma de Vidro

Era uma vez, num país distante, entre o ducados de Pélvis e Clímax, quando o mundo não era mundo, ou não era chamado mundo, e todo mundo, andava por aí meio imundo, que uma tradição imperava: o homem que possuísse mais vaginas, era adorado pelos seus semelhantes (claro, muito diferente de nossos tempos...).
Segundo fontes bibliográficas confiáveis, como por exemplo, o livro Xô, Xota! Uma análise teórica do comportamento sexual masculino desde os primórdios das eras , do famoso pesquisador empírico na área sexual, Alexandre Frota, a ideologia vigente era a do "Pega, fode, tira a roupa e esculacha, entendeu?"
Funcionava mais ou menos assim; para cada mulher que possuísse, o homem detinha o direito de decepar a vagina, e tomá-la para si. Era costume os homens andarem com uma redoma de vidro, onde depositavam as vaginas adquiridas, mostrando para os rivais, o quão viris eram. O finado historiador sexual, Clodô Hernandez, afirma que o mais famoso conquistador dessa época foi Penóquio, que contabilizou 669 vaginas em um curto período de atividade. Segundo as más línguas, o próprio historiador foi uma de suas conquistas, mesmo vivendo mil anos à frente do garanhão de madeira. (Confira a história de Penóquio aqui).
Tudo corria normalmente, isto é, os homens continuavam a deflorar mancebas, com o simples intuito de aumentar o peso de suas redomas e o tamanho de seu prestígio. Muitas estratégias eram usadas: flores; sushis; falsa erudição; cavalos emprestados pra que se aparentasse mais posses... Até que, surgiu uma mulher diferente. Você se pergunta "Uma mulher idealista, de vanguarda, decidida, que não quer mais viver à mercê dos homens?" Resposta rápida: Não. É muito mais simples. Ela simplesmente, era lésbica! E como toda mulher, queria provar para os homens que poderia ser tão boa ou até melhor no que eles faziam.
Por ser mulher, tinha muito mais tato e educação do que os ogros movidos a testosterona. Consequentemente, ganhava o coração das mulheres, com calma, deixando-as confusas, sem saber se queriam ser plugue ou tomada. E nessa hora, quando a indecisão tomava conta das pobres donzelas, ela atacava, num golpe único e certeiro. Logo, fez fama, e começou a superar todos os homens. Não havia mais espaço em sua redoma.
Os homens, criaram então uma nova tradição. Não iriam mais brincar de colecionar as conquistas e andar com elas penduradas na cintura. Escolheriam uma vagina oficial, pra passar o resto da vida, e ela estaria simbolizada por uma espécie de jóia no dedo anelar da mão esquerda. Ficou instituído também, que o homem andaria de mãos dadas com a vagina, quer dizer, com a mulher. Para proteger a amada, é claro. Nunca para ostentar!
E hoje, aqui estamos nós.

Atesto que sou um bode e não entendo nada de relações humanas, por isso considero esse relato imparcial e totalmente isento de ideologias, preconceito e tudo isso que as mulheres chamam de machismo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ele; Ela e ele

Ele chegou, sentou, e pediu uma bebida que demorou pra chegar. Bebeu tudo de uma vez só, coisa que fez com todas as outras. Era um costume seu, consumir tudo de uma vez; mulheres; bebidas; dinheiro. O lugar era abafado, um daqueles bares conjugados com puteiro, em que não se sabe se o cigarro cheira mais que o sexo, nem quem cheira primeiro.
Quando pensava em ir embora, após o último copo, eles chegaram. Eles, sempre eles. Eles, no caso, eram ele e Ela, os dois motivos de sua ida ao boteco/bordel. Ela, seu amor, e ele seu maior rival. Havia feito duas juras na vida, e os dois jurados estavam ali. Pra ele prometera a morte. Pra Ela, seu amor e tirá-la dessa vida, dos programas e da doença adquirida.
Acho que ninguém jamais traduziu o ódio com tamanha exatidão quanto a troca de olhares dos dois. Foi como se o diabo olhasse por dentro de cada um, e labaredas reverberassem com o som do sangue que começava a subir, e esquentar ainda mais aquele lugar imundo. Coisa de macho! De quem honra o que carrega entre as pernas.
E Ela ali, no meio do fogo cruzado, cliente e amante, num segundo que poderia ser horas. Os dois, ele e Ela subiram pro quarto, pr'aquela que poderia ser a última noite, a saideira dessa vida. Se demoraram na cama depois do gozo, pois sabiam que o outro ainda esperava. Se beijaram, e ele desceu, pra encarar a morte. Mas encarar com braço firme e pulso forte, olhar sedento; pelo gosto do sangue, seu ou dele.
Facas em punho, como manda o figurino, ele partiu pra acabar com a vida, sua ou dele. Ele. Ele era mais forte. "Ele ou eu?" Depois de alguns minutos de luta, todos podiam ver que Ele ganharia, questão de tempo. E Ele, pra não contrariar a lógica, fez-lhe um furo na barriga. E a facada foi seguida de outra, e mais outra, enquanto o outro nadava no próprio sangue, mesmo sangue que tingia os dentes, amarelos outrora, agora vermelhos.
Ele chora, Ela chora e ele morre. Ninguém entende mais nada, e Ele parte sem demora, vai embora! Embora não seja a melhor hora, Ele precisa dela. Sobe, entre sangue, suor e lágrimas, finaliza o amor no leito da mulher. Ele sabe, que pode partir em paz, os dois jurados, tão calados, já não existem mais.

domingo, 22 de março de 2009

Dona Armênia e o Álcool

Agradar a família da namorada e causar boa-impressão é um dom. Mas esse dom, esse tato com seus futuros "parentes" exige também muita prática e dedicação. Uma regra é óbvia: Não, o seu cunhado não tem o mínimo interesse em saber a quantas anda o desempenho sexual da irmã!
Um quesito importante é aquele que diz respeito a bebida. É bom evitar, a não ser que sua sogra seja a primeira-dama. Se for o caso, beba à vontade, feio seria se você não bebesse na presença de nosso presidente. Seria um ato pouco diplomático, diria o Itamaraty. Mas caso você, assim como 99,9999% das pessoas, não pertença a família presidencial, é bom maneirar na manguaça. Um drinque com o sogrão, quem sabe um escocês (mesmo que o "escocês" tenha sido engarrafado lá pelas bandas de Mangaratiba) ou uma cerveja assistindo a um futebolzinho, de preferência fingindo que torce pelo time do sogro. Só tome cuidado pra não beber demais e acabar elogiando em demasia os atributos físicos da Dona Armênia (que de estranha só tem o nome) — As Armênias que me perdoem.
Você — Mas essa Dona Armênia é jeitosa, hein. (visivelmente alegre)
Sogro — Obrigado, meu jovem. A nossa Madelena se assemelha muito à mãe.
Você — É verdade! (sorriso debilóide e olhos praticamente fora de órbita)
Sogro — Se parecem em tudo, é impressionante.
Você — Em tudo? (sorriso débil e malicioso) — e você pensa: SEXO, SEXO, SEXO!
Sogro — Absolutamente (sem perceber a maldade)
Você — Essa Dona Armênia, no meu terreiro dava uma canja... (pensando alto)
Na verdade é esse o maior problema de pensar alto: você pensa alto.
Sogro — O quê? (completamente alterado)- Repita se for homem! (se esgoelando)
Você — GRADSLKOPLWHY... (e mais alguns ruídos intraduzíveis)
À essa altura a família toda, inclusive o Vovô que até há pouco era cadeirante,está de pé, com os olhos em você. Você procura Madalena com os olhos e não a vê, aliás, não vê mais nada depois que seu cunhado, o caçula Juninho, que tem 1,90m de altura e o pescoço mais grosso que a sua coxa, lhe acerta o terceiro soco no queixo.
Uma semana depois você acorda, no hospital, e ao abrir o que costumava ser sua boca, nota a falta dos incisivos centrais, molares e do siso.Você agradece pela "remoção" gratuita que seu cunhado fez e tenta abrir um um pouco mais os olhos para ler a carta que está sobre o criado-mudo. Ao ler, descobre que logo após ter sido reanimado por Madalena, você correu aos braços de Dona Armênia tentando convencê-la a fugir pro Caribe com você e prometendo sustentar aos dois com sua pequena mas promissora criação de mariscos e a venda daquela camisa que o Garrincha usou na final de 62.
— Mais uma noiva que se vai. Da próxima vez compro um vestido mais barato — você fala, quase que sussurando consigo mesmo — Foi merecido, mas bem que Dona Armênia podia vir me visitar...